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Ana Cristina Moreira – Médica especialista em Medicina Geral e Familiar

Portugal celebra hoje, dia 22 de maio de 2021 o Dia Nacional Contra a Obesidade, um dos mais importantes problemas de saúde pública do século XXI. A obesidade foi, nacionalmente e oficialmente, reconhecida como doença crónica a 25 de março de 2004 e, desde esse ano, foi celebrado no penúltimo sábado do mês de maio o Dia Nacional contra esta doença como forma de sensibilização para este problema e suas implicações, bem como de promoção de hábitos de vida saudáveis. 

O excesso de peso (pré-obesidade) e a obesidade definem-se como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura que pode prejudicar a saúde e surge por haver um desequilíbrio energético entre as calorias ingeridas e as gastas. Porque é que surge? Não há uma causa única, mas sim a associação de vários fatores, nomeadamente hereditários, ambientais, familiares (como ter história familiar de obesidade), metabólicos, comportamentais, mentais, culturais e socioeconómico.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera como especialmente importantes o excesso de peso e a obesidade na faixa etária infantil e juvenil (crianças e adolescentes), pela possibilidade de serem instituídas medidas com maior impacto na prevenção e no controlo de doenças não transmissíveis. Isto porque, o excesso de peso e a obesidade constituem-se como importantes fatores de risco para doenças mais comuns no adulto e no idoso como a doença cardiovascular (hipertensão arterial, colesterol e triglicerídeos elevados, angina de peito, insuficiência cardíaca…), a diabetes e o cancro. Ocupa, de facto, o 2º lugar do pódio de morte passível de ser prevenida, ultrapassando apenas o tabagismo.

Neste âmbito, a OMS Europa criou a Iniciativa de Vigilância da Obesidade Infantil (COSI), onde crianças entre os 6 e os 8 anos, de diversos países europeus, incluindo Portugal, são avaliadas e estudadas por equipas treinadas, utilizando equipamentos de alta qualidade, segundo um protocolo e abordagem comuns, com o objetivo major de fazer a diferença, ao ajudar a projetar, a instituir e a avaliar as intervenções/políticas que travem este problema. De acordo com os últimos dados, a prevalência de excesso de peso e de obesidade nas crianças portuguesas tem vindo a diminuir, atualmente estamos em 29.6% de excesso de peso e em 12.0% de obesidade. No entanto, apesar dessa diminuição, é necessário continuar o trabalho e ter em conta que a pandemia COVID19 (confinamento, encerramento das escolas, aumento das dificuldades económicas, aumento da ansiedade/stress nas famílias, …) causou certamente um impacto negativo nos comportamentos de saúde das crianças e das suas famílias. 

Mas, afinal, que medidas podemos instituir? 

  • Tomar pequeno-almoço todos os dias!
    • O pequeno-almoço é um meio importante de fornecer às crianças alimentos ricos em nutrientes para começar o dia e dar-lhes energia após um longo jejum noturno;
    • Vários estudos mostram que o consumo do pequeno-almoço está associado à manutenção de um peso saudável em crianças;
  • Comer 5 ou mais porções de frutas e/ou vegetais por dia!
    • O consumo de frutas e vegetais, ricos em vitaminas, sais minerais e outros nutrientes essenciais, tem benefícios para a saúde, a curto e a longo prazos;
  • Evitar comer entre refeições!
    • Petiscar entre refeições frequentemente associa-se a snacks, salgados ou doces, pouco saudáveis;
  • Evitar refrigerantes!
    • Vários estudos mostram que os refrigerantes estão associados a um maior risco de aumento de peso e a obesidade. Além disso, as quantidades excessivas de açúcares que contêm afetam diretamente a saúde oral (cáries dentárias);
  • Praticar atividade física regular, de intensidade moderada a vigorosa!
    • Exemplos: ir para a escola a pé, prática de um desporto/dança/jogo que implique atividade pelo menos por 2h/semana (entre 2h/semana a 1h/dia);
  • Reduzir o tempo de ecrã (TV, telemóvel, tablets, …) ao menor tempo possível!
    • O tempo de ecrã é frequentemente associado a efeitos negativos para a saúde, tanto psicossociais (depressão, baixo desempenho escolar), como físico (menor aptidão física, mais dores musculoesqueléticas, obesidade);
    • Tempos médios recomendados, por idade:
      • Bebés com 18 meses e mais novos: tempo de ecrã = 0 (zero);
      • Crianças entre os 2 e os 5 anos de idade: máximo 1h/dia;
      • Crianças com mais de 6 anos e adolescentes: média de 2h/dia, podendo variar, mas sendo de extrema importância haver um limite acordado e a priorização do tempo sem ecrã;
  • Dormir bem e o tempo recomendado por noite!
    • Estudos sugerem haver uma relação positiva entre o tempo de sono e o peso corporal saudável;
    • Tempos médios recomendados, por idade:
      • Bebés entre os 0 e os 3 meses: 14 a 17 horas/dia;
      • Bebés entre os 4 e os 11 meses: 12 a 15 horas/dia;
      • Crianças entre 1 e 2 anos: 11 a 14 horas/dia;
      • Crianças dos 3 aos 5 anos: 10 a 13 horas/dia;
      • Crianças dos 6 aos 13 anos: 9 a 12 horas/dia:
      • Adolescentes dos 14 aos 17 anos: 8 a 10 horas/dia;
      • Adultos jovens (18-25 anos): 7 a 9 horas/dia.

Adaptado de:

  • WHO European Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI) Report on the fourth round of data collection, 2015–2017. WHO/EURO:2021-2495-42251-58349 (disponível em www.euro.who.int);
  • Childhood Obesity Surveillance Initiative – COSI Portugal 2019. Instituto Ricardo Jorge, Direção Geral da Saúde e Ministério da Saúde (disponível em https://www.ceidss.com/pt/inicio/);
  • Sociedade portuguesa e americana de pediatria;
  • Associação portuguesa do sono.
Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade
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