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Quando os nervos nos paralisam …

International Stress Management Association (ISMA) assinala, desde 1998, a data da consciencialização do stress na primeira quarta-feira de Novembro. A prevalência de doenças associadas ao stress é tão elevada, que a Organização Mundial de Saúde o classificou como “a epidemia de saúde do século XXI”, de forma a alertar para os efeitos nocivos a ele associados. 

Se por um lado existe um nível de stress com efeitos positivos, que nos motiva e impele para a ação, por outro sabemos que um nível excessivo e persistente de stress nos pode levar à exaustão, com consequências graves para a nossa saúde física e mental. 

Nestes casos, a sensação de “nervosismo” pode tornar-se intolerável, muitas vezes associada a uma sensação permanente de agitação, irritabilidade e dificuldades na atenção/concentração. Em termos fisiológicos associa-se a aumento da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, falta de ar, aperto no peito, suores, cansaço extremo, alterações do apetite e sono não reparador. Estas alterações justificam o facto de pessoas expostas a elevados níveis de stress estarem em maior risco de desenvolverem doenças cardiovasculares e deficiências do sistema imunitário. 

Quando estes sintomas surgem e se prolongam no tempo, começamos a sentir cada vez mais dificuldade em dar resposta às tarefas habituais, com perceção de incapacidade para enfrentar situações que antes pareciam simples e que passam depois a ser feitas com muito mais esforço. Estas dificuldades levam a que a pessoa se sinta muitas vezes culpada face à sua impotência, e tenda a isolar-se progressivamente dos outros, muitas vezes desenvolvendo depressão. 

Apesar de invisível, o stress tem um peso elevado no nosso quotidiano e é importante que cada um de nós esteja atento aos sinais do seu organismo, de forma a conhecer os seus limites, pois muitas vezes vamos exigindo cada vez mais de nós mesmos e só paramos a nossa rotina desenfreada quando o corpo nos obriga. 

No último ano e meio, a pandemia expôs muitas pessoas a níveis elevados de stress, não só pelo medo do contágio, mas também pelas alterações abruptas a que fomos sujeitos, nomeadamente ao nível laboral, com situações graves de precariedade, desemprego e regimes desumanos de teletrabalho. Esta realidade deixou muitas pessoas vulneráveis e as suas consequências já se vão começando a sentir. 

Sempre que possível, a mudança do estilo de vida, nomeadamente a desaceleração do ritmo de trabalho, a realização de pausas entre as tarefas, uma melhor gestão do tempo, a partilha de tarefas com outras pessoas, o desenvolvimento de laços afetivos saudáveis com amigos e familiares, a prática regular de exercício físico e de atividades de lazer, podem ser formas de reduzir a exposição a níveis elevados de stress.  

Existem algumas técnicas que ajudam a controlar a respiração e que podem ser muito úteis para lidar com a ansiedade. A abordagem cognitivo-comportamental e o mindfulness são abordagens eficazes no tratamento destes quadros. 

Quando os sintomas se tornam muito incapacitantes, pode ser necessário iniciar alguma medicação específica. 

Se estiver a passar por uma situação de ansiedade persistente com impacto na sua vida, não hesite em procurar apoio junto de profissionais especializados, nomeadamente psicólogo, médico de família ou psiquiatra.  

Autoria: Ana Cristina Lopes | Psiquiatra

Dia da Consciencialização do Stress
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